{"id":136,"date":"2023-06-22T17:22:48","date_gmt":"2023-06-22T20:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/tocommst.mst.org.br\/?p=136"},"modified":"2023-06-22T17:22:48","modified_gmt":"2023-06-22T20:22:48","slug":"artigo-repeticao-e-saturacao-nos-discursos-sobre-o-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tocommst.mst.org.br\/?p=136","title":{"rendered":"Artigo | Repeti\u00e7\u00e3o e satura\u00e7\u00e3o nos discursos sobre o MST"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Christa Berger*<br \/>Do Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>Acompanhei a implanta\u00e7\u00e3o e acompanho (quando paci\u00eancia e toler\u00e2ncia permitem) as sess\u00f5es da CPI do MST, \u201cdestinada a investigar a atua\u00e7\u00e3o do grupo Movimento Sem Terra, do seu real prop\u00f3sito, assim como dos seus financiadores\u201d.<\/p>\n<p>D\u00favida sobre \u201creais prop\u00f3sitos\u201d do MST em 2023 que justificam a quinta cria\u00e7\u00e3o de uma CPI? Talvez, mais pertinente, seja esclarecer os reais prop\u00f3sitos da CPI do MST. Pois desde seu surgimento, prop\u00f3sitos e financiadores agu\u00e7am a imagina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e de jornalistas. E l\u00e1 vem a lembran\u00e7a da pesquisa que realizei nos anos 1990 para a tese de doutorado. Ela se chamou A terra e o texto: campos em confronto.<\/p>\n<p>L\u00e1 (uns 20 anos atr\u00e1s) como agora fica evidente a centralidade da quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil, como os donos da terra t\u00eam representa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica brasileira e como garantem o tom da cobertura jornal\u00edstica. O prop\u00f3sito real da CPI do MST \u00e9 claro: mais um esfor\u00e7o para criminalizar o Movimento e j\u00e1 podemos at\u00e9 prever o teor do relat\u00f3rio final ensaiado nas sess\u00f5es pelo relator, n\u00e3o por acaso Ricardo Salles, o ex-ministro do Meio Ambiente que prop\u00f4s aproveitar a pandemia para passar a boiada.<\/p>\n<p>Na CPI de 2023 a terra e o texto seguem em confronto, assim como a posi\u00e7\u00e3o de uns e outros segue marcada pela escolha de uma palavra: Invas\u00e3o ou Ocupa\u00e7\u00e3o? E l\u00e1 vou eu ao encontro da querida professora Maria Aparecida Baccega que n\u00e3o se cansava em exemplificar com estas palavras, ao ensinar que os voc\u00e1bulos n\u00e3o s\u00e3o neutros nem imparciais e que expressam a vis\u00e3o de mundo do falante. Ela escreveu:<\/p>\n<p>\u201cOs lexemas invadir e ocupar promovem conota\u00e7\u00f5es completamente diferentes sobre o sentido da a\u00e7\u00e3o dos sem-terra. Invadir carrega semas como tomar aquilo que n\u00e3o me pertence, j\u00e1 ocupar nos indica semas como estar em lugar devoluto. O elemento espacial \u2013 a terra \u2013 e os pontos de vista ideol\u00f3gicos sobre ela, d\u00e3o sentido para uma ou outra.\u201d<\/p>\n<p><em>Terra: Espacialidade + Ideologia<\/em><\/p>\n<p><em>Invadir<\/em><\/p>\n<p><em>Existe um obst\u00e1culo legal<\/em><\/p>\n<p><em>Este obst\u00e1culo \u00e9 vencido<\/em><\/p>\n<p><em>Vencer, significa aqui transgredir<\/em><\/p>\n<p><em>A transgress\u00e3o permite puni\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>O ato \u2013 invadir \u2013 \u00e9 ilegal<\/em><\/p>\n<p><em>Ocupar<\/em><\/p>\n<p><em>n\u00e3o h\u00e1 obst\u00e1culo<\/em><\/p>\n<p><em>trata-se de algo desocupado<\/em><\/p>\n<p><em>n\u00e3o h\u00e1 transgress\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>n\u00e3o pode haver puni\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>o ato \u2013 ocupar \u2013 \u00e9 legal<\/em><\/p>\n<p>Portanto, legalidade e ilegalidade est\u00e3o na base do confronto vinculado \u00e0 a\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terra e, tamb\u00e9m, na escolha das palavras que os parlamentares usam na CPI do MST, na cobertura jornal\u00edstica e nas decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>Ao optar pela palavra invadir o sujeito escolhe um signo que preserva o conceito de propriedade privada, em que o sem-terra encontra-se na ilegalidade e ao ouvinte\/leitor \u00e9 oferecida uma pista de leitura em que a transgress\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o para ser punida.<\/p>\n<p>Caso opte por ocupar, ele estaria sustentado pelo conceito de propriedade social da terra, em que n\u00e3o \u00e9 ilegal ocup\u00e1-la se est\u00e1 sem uso e a ilegalidade se encontraria na a\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o, ao destruir acampamentos, prender acampados, matar para realizar uma desocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a quinta Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) que o MST enfrenta. Ele perde, pelo simples fato de a CPI ser aprovada, pois confirma para a popula\u00e7\u00e3o que o MST merece ser investigado. E perde porque pela repeti\u00e7\u00e3o dos discursos na CPI e na cobertura jornal\u00edstica, a popula\u00e7\u00e3o acompanha a opini\u00e3o pol\u00edtica\/midi\u00e1tica e repete que o movimento \u00e9 ilegal e violento.<\/p>\n<p>Nosso desafio \u00e9 pela informa\u00e7\u00e3o interromper a repeti\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 no n\u00edvel da satura\u00e7\u00e3o e mostrar o MST que produz e tira da mis\u00e9ria milhares de brasileiros.<\/p>\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 legal! O MST ocupa a terra para produzir!<\/p>\n<p><em>*Christa Berger, jornalista, mestre em Ci\u00eancias Pol\u00edticas, doutora em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, foi professora-pesquisadora nas faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o da PUCRS, UFRGS e Unisinos. Autora da biografia Jurema Finamour \u2013 a jornalista silenciada, A terra e o texto: campos em confronto, e organizadora do livro O jornalismo no cinema.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2023\/06\/22\/artigo-repeticao-e-saturacao-nos-discursos-sobre-o-mst\/\">Artigo | Repeti\u00e7\u00e3o e satura\u00e7\u00e3o nos discursos sobre o MST<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0Invas\u00e3o ou Ocupa\u00e7\u00e3o? Na CPI de 2023 a terra e o texto seguem em confronto e demarcam vis\u00f5es de mundo<br \/>\nO post Artigo | Repeti\u00e7\u00e3o e satura\u00e7\u00e3o nos discursos sobre o MST apareceu primeiro em MST.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Christa Berger*Do Brasil de Fato Acompanhei a implanta\u00e7\u00e3o e acompanho (quando paci\u00eancia e toler\u00e2ncia permitem) as sess\u00f5es da CPI do MST, \u201cdestinada a investigar a atua\u00e7\u00e3o do grupo Movimento Sem Terra, do seu real prop\u00f3sito, assim como dos seus financiadores\u201d. D\u00favida sobre \u201creais prop\u00f3sitos\u201d do MST em 2023 que justificam a quinta cria\u00e7\u00e3o de uma CPI? Talvez, mais pertinente, seja esclarecer os reais prop\u00f3sitos da CPI do MST. Pois desde seu surgimento, prop\u00f3sitos e financiadores agu\u00e7am a imagina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e de jornalistas. 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