{"id":154,"date":"2023-07-12T14:44:56","date_gmt":"2023-07-12T17:44:56","guid":{"rendered":"https:\/\/tocommst.mst.org.br\/?p=154"},"modified":"2023-07-12T14:44:56","modified_gmt":"2023-07-12T17:44:56","slug":"coragem-e-ousadia-nunca-faltaram-as-mulheres-e-aos-homens-que-dedicam-a-vida-a-democratizacao-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tocommst.mst.org.br\/?p=154","title":{"rendered":"\u201cCoragem e ousadia nunca faltaram \u00e0s mulheres e aos homens que dedicam a vida \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da terra\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Pinheiro Salles*<\/em><\/p>\n<p>MST e seus agressores<\/p>\n<p>Quando o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) multiplica as a\u00e7\u00f5es em defesa da reforma agr\u00e1ria, mais justificativas os inimigos buscam para intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no campo. A bancada ruralista na C\u00e2mara dos Deputados oferece maior \u00eanfase \u00e0 troca de favores com suas bases direitistas. Pol\u00edcia Militar e pistoleiros a servi\u00e7o do latif\u00fandio apresentam iniciativas para revigorar a pol\u00edtica golpista, a trucul\u00eancia e a estupidez que perpassaram o governo do ineleg\u00edvel ex-presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, deve-se perguntar: por que os grandes fazendeiros acumularam tanto \u00f3dio ao MST e t\u00e3o graves crimes praticam contra quem reivindica a conquista da reforma agr\u00e1ria no Brasil? Modestamente, ouso apresentar aqui algumas observa\u00e7\u00f5es e parcimoniosas informa\u00e7\u00f5es pertinentes. O MST nasceu em janeiro de 1984, passando imediatamente a enfrentar a intransigente hostilidade da UDR (Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista), de lament\u00e1vel mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o teve \u00e0 sua frente, dentre outros, um integrante de fam\u00edlia acusada de m\u00faltiplos insultos aos seus trabalhadores, especialmente nas imedia\u00e7\u00f5es da antiga capital goiana. As agress\u00f5es inclu\u00edam o trabalho escravo, que se sobressa\u00eda rotineiramente, at\u00e9 reproduzindo m\u00e9todos de tortura utilizados nos quase cinco s\u00e9culos de escravid\u00e3o. A prop\u00f3sito, pode-se repetir a declara\u00e7\u00e3o de um ministro do Trabalho (Walter Barelli) em 1993: \u201cTemos de reconhecer que isso ainda existe. E que essa \u00e9 a maior mancha da hist\u00f3ria brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Como se compreende, \u00e9 secular o problema da quest\u00e3o agr\u00e1ria em nosso pa\u00eds. Sempre se colocou em evid\u00eancia o conservadorismo dos grandes propriet\u00e1rios rurais. A concentra\u00e7\u00e3o de terras alcan\u00e7a um dos mais altos \u00edndices do planeta. Privilegiados s\u00e3o uma minoria de latifundi\u00e1rios e vastos conglomerados monopolistas-financeiros. A enorme desigualdade social \u00e9 mantida pelas classes dominantes, continuamente, com a pr\u00e1tica e o est\u00edmulo da viol\u00eancia que atinge os trabalhadores do campo e os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ligado a tudo isso pode-se citar o exemplo do massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s. Ocorreu em abril de 1996. Em uma tocaia preparada pela Pol\u00edcia Militar, foram assassinados com tiros de fuzil 21 membros do MST. Os sobreviventes, incluindo mulheres e crian\u00e7as, permaneceram dias escondidos no mato, sob o terror policial. O sofrimento era a soma do frio, da falta de comida e da incerteza sobre a continuidade da vida. Assim, interrompeu-se a marcha pac\u00edfica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 capital do estado, quando se pretendia defender a reforma agr\u00e1ria junto ao governo do Par\u00e1.<\/p>\n<p>As persegui\u00e7\u00f5es ao movimento n\u00e3o t\u00eam limite. Elas se manifestam das mais distintas formas (est\u00e1 a\u00ed a CPI das Inj\u00farias, na C\u00e2mara dos Deputados). O principal aglomerado de pessoas acampadas em Goi\u00e1s fica no munic\u00edpio de Formosa. O acampamento Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, com 280 fam\u00edlias, existe h\u00e1 nove anos. E, recentemente, vem sofrendo todo tipo de viol\u00eancia. Segundo a CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra), fazendeiros vizinhos \u201ccortam cercas para o gado destruir as planta\u00e7\u00f5es dos acampados, usam agrot\u00f3xicos e causam inc\u00eandios criminosos\u201d (O Popular, 10 e 11 de junho \u00faltimo).<\/p>\n<p>Mas, querendo-se ou n\u00e3o, o fato \u00e9 que os tempos s\u00e3o outros. O MST n\u00e3o vai recuar face \u00e0s manobras, amea\u00e7as e \u00e0s pr\u00f3prias balas dos grileiros e demais bolsonaristas. As ocupa\u00e7\u00f5es retornaram este ano com vigor in\u00e9dito. Est\u00e1 sendo, portanto, destravada a luta encoberta pelo derrame de armas nos \u00faltimos quatro anos. Afinal, coragem e ousadia nunca faltaram \u00e0s mulheres e aos homens que dedicam a vida \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da terra e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, igualit\u00e1ria, verdadeiramente democr\u00e1tica. Sem fome, sem opress\u00e3o e, sobretudo, sem o opr\u00f3brio do trabalho escravo, que ainda hoje, vergonhosamente, avilta a nossa condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><em>*Pinheiro Salles \u00e9 jornalista e militante pol\u00edtico. Permaneceu nove anos nos c\u00e1rceres da ditadura<br \/>militar em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2023\/07\/12\/coragem-e-ousadia-nunca-faltaram-as-mulheres-e-aos-homens-que-dedicam-a-vida-a-democratizacao-da-terra\/\">\u201cCoragem e ousadia nunca faltaram \u00e0s mulheres e aos homens que dedicam a vida \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da terra\u201d<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0Em artigo, jornalista aponta a import\u00e2ncia do fortalecimento da luta pela terra como enfrentamento \u00e0 tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o do MST<br \/>\nO post \u201cCoragem e ousadia nunca faltaram \u00e0s mulheres e aos homens que dedicam a vida \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da terra\u201d apareceu primeiro em MST.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pinheiro Salles* MST e seus agressores Quando o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) multiplica as a\u00e7\u00f5es em defesa da reforma agr\u00e1ria, mais justificativas os inimigos buscam para intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no campo. 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